segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Imprevisibilidade.

A imprevisibilidade da vida é uma coisa fascinante. Não fosse isso e talvez vivessemos constantemente embuídos num tédio existencial que nos faria desfrutar das pequenas coisas simplesmente por sobrevivência e pura rotina. Ainda bem que assim não é, não fossemos nós tornar este caótico e apodrecido mundo ainda menos renovável, nas suas esperanças e nos sonhos de cada um, leme de toda a humanidade. Infelizmente nem todas as esperanças são para bem dos comuns mortais e por vezes damos por nós encalhados já sem sequer acreditar nos sonhos. Graças a nós, humanos, não falta excepção para toda a regra.

Voltando ao ponto inicial, o da imprevisibilidade da vida, supreende-me o facto de acontecimentos biológicos, geológicos e humano-afectivos se relacionarem quase na perfeita medida. Tal como na crosta terrestre quando menos esperamos existem sismos, vulcões, fendas, que renovam drásticamente realidades anteriores, também nas plantas depois da pétala velha vem pétala nova, obviamente não sabendo nós se param no bem-me-quer ou no mal-me-quer. O incontornável é que se renovam nem que com mágicas adaptações bem fundamentadas por Charles Darwin. A isto compara-se por fim a vida humana, nos seus dilemas e nas suas infinitas incertezas.

Talvez hoje em dia acredite que cada um de nós é um pedaço de terra e de vida no mesmo sistema, que morre e renasce com as luas e com os sóis respectivos, que tantas vezes parece em definitivo condenado ao fracasso reerguendo-se no último sopro, mesmo quando já caídos no abismo, se é que essa queda não é simplesmente fraqueza da nossa imaginação.

Quero com isto dizer que os muros das lamentações foram das invenções mais absurdas do mundo, porque com ou sem lamento, a vida reinventa-se a si própria, se nunca deixarmos secar a tinta da caneta com que todos os dias se escreve a nossa história. Mas a história não se repete, por muito que o conteúdo seja semelhante a página é sempre nova. Não lamento por isso o passado, mas sonho muito com o futuro. Por estes dias até demais.

Que a imprevisibilidade de todas as coisas me supreenda, e que, na pétala sim, pétala não, se decida, em breve, a parar no bem-me-quer.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Caminhando.

Um dia alguém disse: " Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo." Não sei para que estrela caminho nem tão pouco se essa estrela agora mesmo se encontra viva, se a luz que me chega não serão simplesmente restos de energia em forma de luz que ainda caminham os longos anos-luz que me separam desse astro, que no entanto pode já estar morto. Nada me é garantido. Que me adianta sonhar com um sol ainda mais perfeito que o nosso, se a estrela para a qual possivelmente caminho já se encontrar extinta? Daí não ter sido dispensado de percorrer os caminhos do mundo. Não sei se o autor, muito mais especialista do que eu nas palavras teria concebido aquela frase com base numa ideia semelhante à minha. Contudo, para que estas palavras agora escritas sejam coerente, refugiar-me-ei apenas no meu ponto de vista.

Cansado de planear o futuro, e de me cruzar pelos caminhos da vida, com estrelas já apagadas, recheadas de tripulantes azarados, apanhados nas malhas da escuridão humana, que tornam este planeta uma selva inimaginável, decidi trocar os T.G.V'S mentais, os Concordes sentimentais e os Vaivém sociais pelos meus próprios pés, finalmente assentes em terra firme e que preenchem a agenda da vida, passo após passo, dando tempo ao tempo, mesmo que com algumas trocas de pés e algumas pedras no caminho.

Lamento simplesmente, dada a observação que nos é permitida andando a pé, deparar-me com o desmoronamento da juventude de hoje em dia, do seu carácter, da sua fraqueza de espírito e da forma como são influênciados pela moda, mesmo que a moda traga cancro dos pulmões e cirrose hepática antes sequer de serem adultos. Lamento também, e neste tema repito ideias anteriores, a existência de " relações Gillete"; usar e deitar fora. Continuarei a acreditar, acho que até ficar senil ou até mesmo à minha morte, que o crescimento de uma pessoa em sociedade está no seu carácter, nos seus valores e na forma como não se vende às ideias gratuitas.

Assim, com a minha mochila, cheia de pedras em que já bati, mas também com muitos mapas que já ganhei, percorrerei os caminhos da vida, em busca do pôr-do-sol perfeito, esperando a estrela a que estou destinado, se o destino existir. Mas não deixarei de caminhar.

Confesso por fim, que sou apaixonado por olhos e acima de tudo, por olhares. São espelho da alma que temos ou que infelizmente já deixámos de ter...

E deixo a questão do mesmo autor:

"...Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?..."

terça-feira, 12 de abril de 2011

Até um dia, espero.

" Amanhã, construimos um mundo novo, em familia e em povo, nesta aliança e compromisso. " Foram estas parte das palavras que marcaram a minha recta final num percurso que de tão profundo, me enche de nostalgia. Choro simplesmente ao recordar as imagens que perpetuam na minha memória, de todos os momentos, todas as actividades, todas as caminhadas, todas as contrariedades e toda a partilha que me fez crescer como jovem adulto de lenço vermelho ao peito. Pouco conseguirão imaginar o significado que todas as letras que escrevi têm para mim, culminando com o hino do Rover 2010. Poucos terão noção da forma especial, e muito pessoal com que vivi o escutismo e o caminheirismo. Poucos terão noção da dor que sinto na hora do abandono. Não me esqueço de nada nem de ninguém e a todos os que em algum momento se cruzaram comigo nesta caminhada, agradeço do fundo do coração. Infelizmente no escutismo, nem tudo o que aprendemos ao longo dos anos corresponde à realidade e só quando chegamos a esta fase e a esta idade nos conseguimos aperceber disso. Ainda assim, acredito que não se pode generalizar, e que haverá oportunidades fantásticas por esse mundo fora. Espero um dia ter a possibilidade de concretizar os sonhos que ainda tenho neste sentido, da partilha, do crescimento, do voluntariado, tendo noção que possuo ainda uma mentalidade da " era do romantismo " em que os sonhos eram sempre possíveis e na qual a vida era simplesmente bela. Apesar de muitos não acreditarem, ainda tenho muito para dar, aprendi muito mesmo nos momentos de discórdia, com pessoas que aparentemente nada de novo me haviam ensinado. No fundo foram essas pessoas que acabaram por me fazer viver isto que para uns será nada, mas que para mim é tudo. Jamais me esqueceria de mencionar os eternos companheiros de guerra; Pedro Nunes, Mauro Monteiros, Paulo Almeida e Nuno Roque. Sem voçês, a viagem não teria tido paisagem, seria só viagem. É importante para mim também, neste momento, agradecer a alguém que tantas vezes afrontei, de forma excedida por vezes, dentro do meu espirito insubmisso e de não resignação. Ao meu chefe de clã, que sempre o foi, longe ou perto, ausente ou presente, mas que sem dúvida me ajudou a crescer muito na minha maturidade, personalidade, motivação e aprendizagem durante os meus 4 anos e uma vida de caminheiro. Sequeira, muito obrigado. A todos, os que no agrupamento, na região, e no país, contribuiram para ser quem sou, por esses trilhos da vida onde tantas vezes andamos errantes e sem rumo, um imenso e profundo obrigado. Não me queria despedir de ninguém, apenas gostaria de dizer, até já. Com uma forte canhota. Filipe

sexta-feira, 18 de março de 2011

Gostar como antes.

Gosto de recordar com um falsa nostalgia é certo porque não vivi nesses tempos, épocas remotas em que o amor era algo especial e não descartável. Gosto de ouvir a minha mãe contar como era no tempo dela, a forma como brilham os seus olhos e ao mesmo tempo se lamentam por as coisas terem chegado onde chegaram. Gosto de acreditar nas palavras dela e ser feliz pelos menos acreditanto que outrora o amor é era mais verdadeiro do que aquele que hoje em dia circula pelas ruas. Gosto de sentir que a palavra amor não foi uma invenção errática dos tempos nem somente uma casual junção de palavras. Gosto de saber que houve tempos em que aos domingos se batia na janela da apaixonada em segredo só para se ver por dois minutos que fosse os seus olhos cintilarem e o coração bater mais forte. Gosto do tempo em que havia respeito pelo amor, pelos intervenientes, pelos corações e pela saudade, consequência eterna da conjugação de todos os factores. Gosto de fechar os olhos e recordar que havia quem percorresse quilómetros a pé para conseguir apenas dizer olá à cara metade. Gosto dos tempos em que se ia para a guerra sem saber se havia volta, e se houvesse, o amor esperaria ancioso a cada bater da porta. Gosto de quem na guerra, longe, sujo, solitário, conseguiu escrever cartas que a sorte nem sempre ajudou.
Gosto quando o coração acelera perante uma simples fotografia. Gosto que o amor também tenha conversas banais. Gosto de me preocupar com quem faz parte do meu dia a dia.

Gosto de poder gostar e acreditar que faz sentido.

Gosto de gostar de verdade como outrora lutadores gostaram.

Gosto acima de tudo, de poder gostar de quem gosto.

Gosto de ti.

Memórias.

Nunca me tinha dado ao trabalho de escutar Pequenas memórias da parte de ninguém e ontem mesmo descobri que afinal até vale apena. Gostaria de um dia em idade mais avançada nesta minha rotineira vida, me recordar com bastante alcance e perfeita clareza de episódios da minha infância, das quedas, dos joelhos esfolados, dos esforços para gostar de cenoura, das minhas dúvidas acerca do paladar sem sal das lições de catequese das quais sempre duvidei, das palmadas formadoras de carácter, das respostas negativas á ambição de conseguir um novo brinquedo, entre tantos outros episódios.

Neste momento, apenas com uns redondos 22 anos, acredito que a capacidade de interpretar as memórias ainda não se desenvolveu e tal só terá lugar no dia que sentirmos que o fim já não está longe. Da minha parte, não penso nisso. Contudo gostaria de um dia ter memórias ou pelo menos que a memória não me atraiçoe por uma qualquer doença frequente entre os comuns mortais. Nesse caso, prefiro nada escrever.

Neste momento, volto a insistir que as pessoas que não quiseram conhecer realmente este grande homem, este enorme escritor e que o criticam sem sequer saber porque se chama como se chama, não deviam sequer ter a coragem de proferir o seu nome em vão.

E basta. Simplesmente, Deixa-te levar pela criança que foste.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A escória da sociedade.

Nos últimos dias, na minha outrora pacata cidade, algumas raparigas foram vitimas de violação. Começo esta minha reflexão, afirmando que os violadores não são mais do que a escória da sociedade, pessoas a quem atribuir o adjectivo de nojentos é pouco, muito pouco. Sem qualquer receio afirmo também, e nesta minha confissão muitos humanos se irão rever com toda a certeza, se alguém pertencente aos meus, fosse vitima de tal acto, não teria qualquer problema, se soubesse os culpados, de os espancar até á morte sem dó nem piedade. Para uma pessoa que sofra tal ataque, não são 20 nem 30 anos de apoio psicológico que apagam a marca da fatalidade vivida, tal como para o violador, não são 20 nem 30 anos de prisão, tratamento psicológico ou tentativas de inserção que o vão tornar capaz e habilitado para viver em sociedade. Quanto a mim é dos crimes mais deploráveis e sem escrúpulos existentes entre humanos. Quanto a mim, se há situação, não única, em que devia ser aplicada pena de morte sem contemplações eram os casos de violação.

A isto junta-se outro factor que aos poucos me vai convertendo aos ideais de direita, a tender para nacionalistas. Os recentes acontecimentos na minha cidade, que já se vão prolongando à algum tempo, têm sido encabeçados, supõe-se, por indíviduos de origem brasileira, na sua maioria ilegais, que se apoderaram de galinheiros nas zonas abandonadas da cidade, nos quais habitam e de onde saiem para crimes efectuados de variadas formas, como por exemplo, o já banal tráfico de droga. A minha cidade está a ficar entregue aos bichos e tudo porque a politica de imigração do meu país é absolutamente inaceitável. Tendo as fronteiras escancaradas, à mercê de qualquer etnía, trabalhadora ou não, as pessoas que sempre viveram na sua paz, do seu suor, vêm-se confrontadas com casos aterrorizantes de jovens violadas por pessoas que a este país só trouxeram problemas, do qual o mais vísivel é o crime.

É incrível como o nosso sistema judicial é protector do crime e em concreto protector daqueles que não merecem nada do que este país lhes tem para oferecer. É incrivel como vão chegando, como vão ficando, como se multiplicam eles e os crimes e como o sentido de impunidade continua rei e senhor. Senhores políticos , senhores ministros: e se for com as vossas filhas? Dá vontade de matar não dá?

Com todo o respeito pelos trabalhadores de verdade e lutadores, rua com o os chulos, prostitutas, traficantes de droga e demais escória e podridão da sociedade e justiça pelas próprias mãos a esses violadores que não merecem viver.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Eu sou o meu problema.

Não era uma vez. Perpetuou-se o facto de a amargura e a solidão, apesar de muito bem acompanhado, se terem vinculado a mim com uma espécie de contrato vitalício que teima em não cessar. Quem também diz olá com alguma regularidade é a angustia, essa que com a sua voz estridente e insuportável nos acompanha a dois palmos dos ouvidos para onde quer que nós vamos. Em efeito dominó aparece a dúvida, sendo esta talvez a pior de todas as consequências da amargura e da solidão. Como um berro proveniente de um megafone ecoa na minha cabeça de forma desconcertante a expressão: Porquê? Só que esta expressão gravada no microfone no modo de repetição, atormenta todas as minhas acções desprogramando por completo a minha programação mental. Vejam lá caros leitores, que estes malditos parasitas até parece que fazem o coração bater mais lentamente como se de repente parasse de vez. Que estupidez, infelizmente real. Só gostava de perceber um pouco mais de algoritmia porque de facto a nossa mente não é mais do que uma sequência de acções que executamos e que podemos ter capacidade ou não de manipular. Eu não tenho essa capacidade e por isso sou refém de mim próprio para mal dos meus pecados contabilizados um a um por esse deus enunciado na primeira linha do algoritmo da vida de todos os mortais. Lá está, programação.

Gostaria um dia de saber lidar comigo, pelo menos tanto quanto consigo lidar com os outros. Gostaria também de nem sequer pensar nisso e simplesmente viver o presente.
Gostaria de viver a felicidade em todas as suas dimensões.
Gostaria de muita coisa, mas eu sou o meu próprio problema.